Saudade do tempo que a minha única preocupação era acordar cedo o suficiente, pra ver desenho antes de ir pra escola.
Saudade de quando minha felicidade se resumia em ganhar brinquedos, comer doces e ver o filme da “Matilda” sempre que passasse na sessão da tarde.
Saudade de quando o meu único desejo era comer bife com batata frita todo dia. Saudade de quando minha dificuldade em matemática resumia-se em descobrir o quanto era nove vezes sete.
Saudade de sentar em frente à televisão, e morrer de felicidade, só por ver as novelas infantis e mexicanas do SBT.
Saudades de quando futuro pra mim era só o amanha e nada mais.
Saudades de ter medo só do escuro.
Saudade do tempo em que me machucar significava apenas arranhões na minha pele, e que chorar era apenas por birra.
Saudades de quando o mundo era só uma palavra muito pequena com o significado muito grande, e que eu tinha o meu próprio mundo.
Saudade de tratar bonecas como filhas, de me tornar estilista e cabeleira pras minhas Barbies, de ser cada dia uma coisa e uma profissão diferente.
Saudade de quando minha única frustração era não conseguir assustar a minha mãe.
Saudade de quando dormir tarde era dormir oito horas da noite.
Saudade de quando o Didi era engraçado, que Casseta e planeta tinham piada inédita, de quando existia lojinha de R$ 1,99, e as coisas eram do mesmo preço lá dentro.
Saudade de apostar corrida com o Lombardi na hora de falar os números da telessena, e ganhar.
Saudade de quando eu cabia no colo da minha avó.
Saudades de quando fazer besteira era sujar a roupa nova, de quando merda era palavrão, de quando eu não queria nem chegar perto de meninos, de quando minha mãe era a maior, melhor e mais poderosa pessoa desse mundo.
São apenas saudades de tempos que não voltam mais, se eu soubesse o quanto era feliz naquela época... Teria aproveitado mais. RS’
É... Saudade.

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