Se eu morresse jovem, se por acaso morresse hoje, não teria feito tudo o que quis, mas quem consegue fazer, poucas pessoas eu acho. Não teria grandes arrependimentos. Aliás, eu iria ter orgulho do modo que vivi, do modo que seria, que eu acho que seria lembrada.
Fui sincera, grossa, briguenta, debochada.
Fui alegre, palhaça.
Fui triste, às vezes auto-destrutiva.
Fui uma claustrofóbica, aracnofóbica.
Fui boa filha, nem tão boa assim, fui uma excelente amiga, boa aluna, algumas vezes inconveniente.
Fui uma apaixonada por livros, música e cinema, fui extremamente cuidadosa com tudo o que possuía, menos comigo. Uma viciada em séries e brigadeiro.
Teria pensado no que queria ter feito e não fiz. Nunca tomei um porre, ou cheguei de madrugada em casa. Nunca viajei, nunca li os livros do Harry Potter, nem o Morro dos Ventos Uivantes, (apesar de ter o livro), nunca vi E O Vento Levou. Nunca aprendi a dirigir, nunca levei pontos nem fui internada. Nunca tive um amor correspondido, e nem correspondi aqueles que diziam me amar. Nunca fui ao Cristo Redentor ou ao Pão de Açúcar apesar de ser carioca.
Não escrevi um livro, não plantei uma árvore e nem cheguei perto de ter um filho.
Mas, pensaria nas coisas que fiz. O número de livros que li supera minha idade. Fiz pessoas rirem, fiz minha mãe rir e também a fiz se emocionar. Escrevi, e assim fiz o que mais amo. Posso não ter escrito um livro, mas tentei. Ri, ri de novo, ri mais uma vez, chorei de rir. Cantei, gritei, pulei, tomei banho de chuva. Sofri mais acidentes em casa do que qualquer criança. Vive num mundo meu, um mundo mágico, com minhas regras, minhas vontades. E o apresentei para poucas pessoas, mas que realmente tinham se interessado por ele.
Eu fiz poucas coisas, mas que só significaram algo para aqueles que viviam comigo.
Mas fazer o quê? Eu fiz poucas coisas, mas isso só seria de grande importância se eu realmente morresse jovem, fora isso, ainda me resta tempo e muito o que se fazer.
Por favor, não espere que eu seja sempre boa, agradável e amável. Haverá momentos nos quais eu serei fria, inconseqüente e difícil de entender.
Quem é você??
- Stephânia Batista
- Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brazil
- “Quem é você?” - perguntou a Lagarta “Eu… Eu não sei muito bem… A senhora me desculpe, mas no presente momento não tenho muita certeza. Pelo menos, eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então…(…) (…)Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas mas não posso explicar a mim mesma…” (Alice no País das Maravilhas) Tumblr:http://house-of-fools.tumblr.com/
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